As novas maravilhas do mundo

As 7 novas maravilhas do mundo ambicionam suceder as tradicionais do mundo antigo, a saber: o Mausoléu de Halicarnasso, as Pirâmides de Gizé, o Farol de Alexandria, o Colosso de Rodes, os Jardins Suspensos da Babilônia, a Estátua de Zeus em Olímpia, e o Templo de Ártemis.
Todas elas, assim como os candidatos a novas maravilhas do mundo, aparentemente possuem um único atributo em comum: são obras que se notabilizam pela grandiosidade. Esse parece ter sido um critério importante na lista de finalistas da fundação, que avaliou, ao longo de oito anos, mais de 200 concorrentes.
Ora, a palavra “maravilha” vem do latim mirabilis, que designa algo admirável ou extraordinário. O termo, por si só, não se relaciona com a questão das dimensões de um objeto, mas pelo seu efeito singular em quem o contempla. Assim, poderiam ser incluídas no rol das maravilhas a Gioconda de Da Vinci, a obra de Shakespeare ou a voz da Elis Regina. Mas, enfim, priorizou-se o que é eterno pela sua grandeza concreta. E coisas desse tipo o mundo tem aos montes, já que não economizar em grandes monumentos sempre foi regra entre os diversos povos ao redor do mundo.
Isso é facilmente compreendido quando pensamos no mundo antigo, pois o domínio da engenharia e da arquitetura servia para equiparar o homem aos deuses, pelas grandes e complexas construções que não deixavam dúvidas quanto ao poder de imperadores, reis, faraós etc.
Mas com a modernidade o poder já não é mais expresso e invocado através de belas formas e construções magnânimas, mas fundamentalmente pelo capital e pelo potencial bélico das nações e seus líderes. Então qual seria, hoje, o sentido de atualizar as maravilhas do mundo com esta votação?
Os organizadores da iniciativa afirmam que a novidade servirá para “unir o mundo”, já que mexeria com o orgulho de qualquer habitante do planeta o ato de glorificar com o cargo de “maravilha do mundo” os patrimônios culturais globais.
Perguntas: se as maravilhas possuem essa representatividade e esse efeito unificador, como se sentiriam os cidadãos que não crêem em Cristo se nosso Redentor for eleito? E será que as nações que têm antipatia pelos EUA reagiriam bem a uma eventual vitória da Estátua da Liberdade? E se os votos são enviados pela Internet, o que dizer da África, que além de ser o continente com menos candidatos (sintomático, não?), possui o maior índice de exclusão digital do mundo? E se a idéia é unificar, por que é tão difícil pensar no nosso patrimônio natural, este sim mais universal e ameaçado que o cultural?
Parece que o homem moderno se sente carente quanto à possibilidade de se maravilhar e orgulhar por seus feitos e agora tenta resgatar uma tradição antiga para se lembrar da grandiosidade de que é capaz, ou mesmo de que é capaz de fazer maravilhas. Em momentos de crise, é natural que o homem regrida.
Só que eleger as maravilhas que o homem fez com concreto, pedras e tijolos faz injustiça às verdadeiras e reais capacidades humanas. Eu voto na voz da Elis.




